Diário da Ayla:
Hoje foi dia daquela consulta de rotina da Ayla Emanuelle. E quem é mãe ou pai sabe como esses dias são, né? Mas a Ayla, com seus exatos seis meses e vinte e dois dias, resolveu que o dia seria de pura fofura.
Chegando ao consultório e, como de costume, ela foi direto para o colo do papai.
No começo, ela estava com a bateria social no máximo. Sentadinha, observando tudo e todos na sala de espera. Ela olhava para as pessoas, abria aquele sorriso sem dentes que derrete qualquer um e esbanjava charme.
Foi um verdadeiro show de simpatia. Ela parecia estar dizendo: "Oi, pessoal! Vim aqui rapidinho e já volto."
Mas, de repente, parece que toda aquela interação cansou.
Aos pouquinhos, a Ayla foi mudando de posição. Todo aquele movimento da sala de espera já não era tão interessante quanto o sono que chegava.
Devagarinho, ela se virou no colo do pai. Já não queria mais ver o mundo; ela queria aconchego.
Foi aí que ela encontrou o lugar perfeito: o ombro dele. Ela encostou a cabecinha ali, deu aquela suspirada funda de quem achou o melhor travesseiro do mundo e... dormiu.
Simples assim. Em meio à leve agitação da espera, ela simplesmente desligou, segura e tranquila no lugar mais confortável que ela conhece.
Não tem preço ver essa paz. Mal sabia ela que logo acordaria para ser medida e pesada, mas, por aquele momento, ela era só um anjinho dormindo no seu porto seguro.
Ayla Emanuelle.

